Atlas da Mentira · checagem verificável

Companheiros e ex-companheiros respondem por 79,8% dos autores identificados, não 99%

Primeira publicação em Edição 1 publicada em

Os dados nacionais mais recentes não sustentam que cerca de 99% dos feminicídios sejam cometidos pelo parceiro da vítima.

No Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, companheiros responderam por 60,9% e ex-companheiros por 18,9% dos autores identificados dos feminicídios de 2025. Mesmo adotando a leitura mais ampla de 'parceiro' e somando as duas categorias, o resultado é 79,8%. Outros 12,1% eram familiares, 5,3% outros conhecidos e 2,8% desconhecidos. Além disso, o próprio Anuário alerta que a relação entre vítima e autor estava ausente em 74,8% dos registros, o que exige cautela para extrapolar esses percentuais ao universo de todos os casos.

Qualificações importantes

Se 'parceiro' significar apenas companheiro atual, a parcela observada foi de 60,9%. A leitura mais favorável, somando companheiros e ex-companheiros, chega a 79,8%.

  • 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026 Relação vítima-autor: pp. 166-167: companheiro 60,9%; ex-companheiro 18,9%; outros familiares 12,1%; outros conhecidos 5,3%; desconhecidos 2,8%; companheiros e ex-companheiros somam 79,8% dos autores identificados.

A variável relação entre vítima e autor tinha informação ausente em 74,8% dos feminicídios registrados em 2025. O FBSP diz que essa lacuna compromete uma compreensão mais acurada do fenômeno; por isso, 79,8% deve ser lido como proporção entre autores identificados nos registros com informação válida, e não como estimativa sem incerteza de todos os feminicídios.

A direção geral da fala tem base: parceiros e ex-parceiros formam a ampla maioria entre os autores cuja relação com a vítima foi registrada. O problema é transformar essa predominância em uma proporção próxima da totalidade.

O que foi checado

Cerca de 99% dos feminicídios no Brasil são cometidos pelo parceiro da vítima.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Renan Santos · Atribuição verificada
Função na época
Candidato à Presidência da República
Vínculo na época
Missão
Data da declaração
02/09/2026
Contexto
Entrevista ao Flow Podcast.

Como a proposição foi normalizada: A fala usa 'parceiro' sem esclarecer se inclui ex-parceiros. A checagem testa tanto companheiros atuais quanto a leitura mais favorável que soma companheiros e ex-companheiros. A alegação separada sobre o local do crime não faz parte desta proposição.

Limite de atribuição: A frase exata é preservada pela Agência Lupa, que acompanhou a entrevista no mesmo dia. A gravação original vinculada não forneceu transcrição navegável no ambiente de pesquisa.

Feminicídio é basicamente um crime que acontece dentro de casa, 99% dos casos, é o parceiro.

Contexto original

O que Renan Santos disse

Em entrevista ao Flow em 2 de setembro de 2026, Renan Santos afirmou que, em 99% dos casos de feminicídio, o autor seria o parceiro da vítima. A frase também mencionava o local do crime, mas esta checagem isola a alegação sobre a relação entre vítima e autor.

Feminicídio é basicamente um crime que acontece dentro de casa, 99% dos casos, é o parceiro.

Explicação

O dado nacional mais recente fica abaixo de 99%

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 analisa os registros de 2025. Entre os autores identificados dos feminicídios com informação válida sobre vínculo, 60,9% eram companheiros e 18,9% ex-companheiros. Somadas, as duas categorias representam 79,8%. Outros familiares responderam por 12,1%, outros conhecidos por 5,3% e desconhecidos por 2,8%.

  • 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026 Relação vítima-autor: pp. 166-167: companheiro 60,9%; ex-companheiro 18,9%; outros familiares 12,1%; outros conhecidos 5,3%; desconhecidos 2,8%; companheiros e ex-companheiros somam 79,8% dos autores identificados.

O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública resumiu o padrão como predominantemente doméstico e íntimo: em 79,8% dos casos com vínculo identificado, o autor era companheiro ou ex-companheiro. Isso confirma que relações íntimas concentram a maior parte dos casos observados, mas não uma proporção de 99%.

Contexto e limites

Há uma lacuna importante nos registros

O Anuário alerta que a relação entre vítima e autor não estava preenchida em 74,8% dos registros de feminicídio de 2025. As proporções de vínculo são, portanto, calculadas a partir dos registros que trazem informação válida. Essa ausência elevada impede tratar 79,8% como uma estimativa precisa para todo o universo de feminicídios e reforça a necessidade de cautela com qualquer percentual nacional muito específico.

Explicação

A leitura mais favorável da fala

A formulação acerta ao apontar o peso central da violência por parceiros íntimos: companheiros e ex-companheiros formam, de longe, a maior categoria entre os autores identificados. Ainda assim, a cifra de 99% transforma uma predominância de aproximadamente quatro em cada cinco casos observados em algo próximo da totalidade, o que os dados disponíveis não mostram.

  • 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026 Relação vítima-autor: pp. 166-167: companheiro 60,9%; ex-companheiro 18,9%; outros familiares 12,1%; outros conhecidos 5,3%; desconhecidos 2,8%; companheiros e ex-companheiros somam 79,8% dos autores identificados.

Explicação

O que os dados permitem concluir

A evidência mais recente confirma que parceiros íntimos têm participação majoritária nos feminicídios com vínculo conhecido, mas não sustenta a cifra de cerca de 99%. A leitura mais abrangente possível dentro das categorias publicadas — companheiro mais ex-companheiro — chega a 79,8% entre autores identificados.

  • 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026 Relação vítima-autor: pp. 166-167: companheiro 60,9%; ex-companheiro 18,9%; outros familiares 12,1%; outros conhecidos 5,3%; desconhecidos 2,8%; companheiros e ex-companheiros somam 79,8% dos autores identificados.

Fontes

  1. No Flow, Renan Santos erra ao criticar adversários e elogiar educação nos EUA Documento

    Agência Lupa · 02/09/2026 19:27

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação, autoria e data da declaração.

    • Trecho da entrevista sobre feminicídio: Passagem que reproduz a declaração feita em 2 de setembro de 2026.

    Limites: É fonte secundária de fact-checking; sua classificação editorial não é usada como autoridade para o finding.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2026 Documento

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública · 2026

    Evidência

    Contribuição: Fornece a distribuição nacional mais recente do vínculo entre vítima e autor e explicita a elevada ausência de preenchimento dessa variável.

    • Perfil das vítimas da violência letal de gênero: p. 163: o campo de relação entre vítima e autor estava ausente em 74,8% dos registros de feminicídio de 2025.
    • Relação vítima-autor: pp. 166-167: companheiro 60,9%; ex-companheiro 18,9%; outros familiares 12,1%; outros conhecidos 5,3%; desconhecidos 2,8%; companheiros e ex-companheiros somam 79,8% dos autores identificados.

    Limites: A relação vítima-autor estava ausente em 74,8% dos registros, de modo que a distribuição não deve ser extrapolada sem ressalvas a todos os feminicídios.; Os dados dependem da qualidade e padronização dos registros policiais estaduais.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. 20 Anos da Lei Maria da Penha: Entre o Avanço Legal e a Alta dos Feminicídios Documento

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública — Fonte Segura · 05/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora em publicação do próprio FBSP a predominância de companheiros e ex-companheiros, sem aproximá-la de 99%.

    • Violência doméstica e íntima: Resumo do Anuário 2026 informa que, em 2025, em 79,8% dos casos considerados, o autor era companheiro ou ex-companheiro.

    Limites: É um texto de síntese do mesmo conjunto de dados do Anuário, não uma fonte estatística independente.

    Disponível

    Abrir fonte

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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